terça-feira, 18 de setembro de 2007

Filosofia de botequim - Parte II – O som do silêncio.

Também dá pra se ouvir o silêncio. Como distinguir o som e o silêncio?

Da mesma forma que o preto é a ausência de cor e mesmo assim conseguimos vê-lo, o silêncio é a ausência do som.

Podemos ouvir diversas coisas no silêncio. Ouvimos a batida do coração, os ruídos da noite, o assoviar do vento, etecetera.

E, antes de todo grande barulho, há um momento de silêncio absoluto. Antes de uma bomba explodir, antes de um gemido de orgasmo, antes do bater da batuta de um maestro, antes do choro de uma criança ao nascer.

Também existe o instante de silêncio que encerra um grande barulho. Depois do encerramento de um espetáculo, a platéia fica por um pequeno instante em silêncio total de admiração e, em seguida, dispara seus aplausos. Depois do soar do sino, os fiéis ficam extremamente calados e, só a seguir, dizem amém.

Antes de você discordar, ou até mesmo, concordar com o que acabou de ler, ficará em silêncio por algum instante também.

sábado, 15 de setembro de 2007

Extraordinariamente: Nota de existência.

- Vi que era indispensável mencionar a idéia que fez passar a existir este blog.

O blog MEIO PAU retrata a banalidade do cotidiano, torna todas aquelas crises existenciais em humor, acredita que a monotonia da rotina permite transformar a vida em algo mais insano e criativo, dando ritmo ao dia-a-dia.

O blog MEIO PAU surgiu da pretensão de revelar um fluxo peculiar do pensamento crítico, contra-cultura, do humor, da reflexão e da forma de sentir.

Traduzindo em palavras coisas corriqueiras, transformando banalidade em estrofes e vulgaridade em música aos ouvidos.Utiliza como ferramenta um humor crítico, guerrilha poética, narrativas do cotidiano, resistência cultural, crônicas sarcásticas, textos insanos e etecetera.

Se você gostou, divulgue. Não gostou? Difame.

LEIA!

Pois, ler não engorda e faz crescer.

terça-feira, 11 de setembro de 2007

O canto do mendigo.

O meu cobertor é um jornal rasgado.

Meu colchão é só um papelão furado.

Vivo por aí pedindo um trocado.

Sem eira nem beira, com meu cão do lado.


Ainda assim, vivo sendo julgado.

Tudo que eu queria é ser um ser alado.

Voar por aí não sendo reparado.

E sempre cantando, com meu cão do lado.

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

A cegueira.

O ser humano carrega consigo a pior doença de sua espécie. A cegueira.

A cegueira da alma, a cegueira intelectual, a cegueira das bibliotecas, dos executivos, dos políticos, dos letrados.

Cegueira qual, não encontramos no povo.

Na Dona Maria, que depois que seu marido morreu de gota, teve que tirar forças e alimento da terra, para dar aos seus filhos o que comer.

E seu João e seu José, que saíram com suas famílias atrás de melhoria e só encontraram ilusão.

Mas, em todos eles, não encontramos essa tal cegueira que deixa todos vendados para as coisas simples da vida.

Que cega o peito, os olhos, o respeito pelo outro.

Arranca da cara toda essa farsa, tira a máscara da intelectualidade e busque na simplicidade a verdade para viver.

Aprenda com a Dona Maria, com seu José e seu João, que a vida é sofrida para quem não vive no que acredita. Para quem busca a solidão.

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Nada.

Reescrevo o que já li, pois, sei que tudo já foi dito.

Acrescento alguns pontos em cada conto que edito.

Coloco sinônimos e outros adjetivos em tudo que escrevo, em tudo que recito.

Concordo que tudo já foi escrito, mas, se eu não escrevi, tenho que dar minha versão no recinto.

Então, se eu não escrevi, não sinto. Se não senti, não foi escrito e tenho dito.

sábado, 1 de setembro de 2007

Ziguezagueando.

Ela veio sem graça e me disse: “qual sua graça?” e eu fui me apresentando.

Quando veio com graça, eu pensei “o que se passa?” e fui me aproximando.


Logo dei um abraço, me senti no espaço, ziguezagueando.

Desconcertei seu passo, deixou cair o laço e foi se apaixonando.


É bem assim que acontece quando a gente esquece tudo que é ruim.

Há quem diz que amar é faca de dois gumes, pode ser, não para mim.