sábado, 13 de outubro de 2007

Não tenha medo.

Por uma vida mais insana. Não tenha medo. Pare de curtir sua, sempre presente, depressão. Tenha mais porres, sem que terminem em profunda melancolia.

Às vezes, a vida é mais do que apenas viver. Por isso, não caminhe, corra, ou então você ficará para trás. Receio da madrugada? Por quê? Só encontraremos aqueles com as mesmas intenções que as nossas. Não tenha medo.

Segure minha mão e aproveite. Eles estão dormindo e, enquanto eles dormem, podemos tudo. Não tenha medo. Olhe nos meus olhos. Ouça a música. Se depare com os personagens que lhe compõe. Corra!

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Inquietação.

Como nos livrar do sentimento de culpa? Como arrancar do peito a angústia do erro? Ter a consciência de um ato errôneo torna-o mais errado? Como evitar este mal inevitável?

Não posso ser omisso, não quero e não tenho este direito. Não pretendo ter o fim igual aos dos meus heróis e, tampouco, aliar-me aos meus inimigos. Prefiro a morte. A morte é algo que não temo mais. Só temo a dor que ela possa me proporcionar. Só.

Não busco respostas obvias. Antes um soco do que um afago. Afinal, não o mereço. Essa inquietação me deixa a beira da loucura. Porém, nunca tive o conhecimento da linha da sanidade.

Não me venha com perguntas. O que eu quero são respostas. Como me livrarei de você? Não, não digas nada, pois, já suponho o que dirás.

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Ligação local.

- Alô, Rita?


- Quem é?


- É a Amanda, Querida. Tava com vergonha de te ligar, mas, tinha que lhe falar que ontem foi maravilhoso. Percebi que era sua primeira vez também, mas, deixei as coisas acontecerem. No inicio foi estranho, eu estava nervosa, nunca me imaginei com outra mulher. Mas, por sermos muito amigas, até que foi divertido, né? Vamos repetir essa brincadeira quando?


- Que bom que você gostou, mas, aqui não tem nenhuma Rita.


- Desculpa, foi engano.

Me vê o de sempre, no capricho.

Em um restaurante, Beto e Ricardo discutiam sobre suas preferências. Comer arroz com feijão ou feijão com arroz?

- Eu prefiro Arroz com feijão. É bem melhor colocar o feijão por cima, dá pra misturar melhor, a comida fica mais molhadinha. Disse Beto.


- Você me faz rir. Se espalhar o feijão no fundo do prato e colocar o arroz por cima, a mistura fica bem mais fácil e muito mais saborosa, vai por mim. Responde Ricardo.


- Tá bom, chega de papo furado. O garçom está esperando os nossos pedidos, o que vai querer?


- Oi, me vê o de sempre. Aquele strogonoff, ok?


- O meu também é o de sempre. Uma lasanha, no capricho.

Indecisão.

Era tarde, elas conversavam há horas. Admirando-se e transmitindo, com fortes abraços, o calor do corpo de uma para outra. As mãos suavam frio e a insegurança tomava conta de ambas:


- Sempre achei lindo os seus olhos. Desde a primeira vez que os vi, me passa uma paz. Sua pele também é bela e tem uma suavidade sem igual.


- Seu cabelo é tão macio e bem perfumado, sua boca é bem contornada e, quando você a umedece com a língua depois de falar, me deixa com certa inveja de não ter nascido com uma boca igual a tua.


- Você diz isso só pra me deixar feliz.


- Você é linda, alta, tem um jeito encantador. Quando me acaricia com as pontas dos dedos me deixa nas nuvens.


- Eu gosto do seu beijo, do jeito que fala comigo e da forma que olha nos meus olhos.


- O mundo pode me tirar tudo, mas, não pode tirar você de mim, nunca.


- Fique tranqüila, pois, sempre estarei por perto, sempre. Já é tarde agora vá dormir que amanhã é um grande dia. Quando o juiz assinar aqueles papéis, serei a mulher mais feliz do mundo.


- Eu também, mãe. Boa noite.Te amo.

terça-feira, 18 de setembro de 2007

A saideira.

Ao fundo, ouvíamos os improvisos virtuosos do piano de Bill Evans, misturado aos murmurinhos dos intelectualóides que freqüentam o bar. Eu, com vários uísques virados, esperava a conta juntamente com meu irmão, Otavio:

- Meu querido! – Gritou meu irmão – pode, por obséquio, agilizar esta conta?

- Só cinco minutinhos, senhor! – Respondera o garçom.

Otavio olhou as horas em seu relógio, a fim de marcar os minutos pedidos pelo garçom.

Continuávamos nosso papo sobre minha separação, falava ao meu irmão que Gabriela quisera o divórcio. Ele me aconselhou a providenciar rapidamente este processo. Porém, apesar de ser meu irmão, tenho que levar em consideração sua situação nada estável com Ruth, refletir muito bem sobre os seus conselhos.

Pronto. Terminei meu ultimo drinque e Otavio também, só faltava acertarmos a conta para irmos embora.

Meu irmão se levantou e chamou o garçom novamente, que lhe acenou pedindo para esperar um pouco mais. Otavio apanhou seu chapéu e seu paletó e começou a caminhar em direção da saída. Eu, sem entender o gesto do meu irmão, deixei o dinheiro na mesa e fui atrás dele:

- Você está maluco, Otavio?

- Por quê? – Respondera ele.

- Como assim? O Garçom pede pra você esperar e você vai embora sem pagar?

- Dei os minutos que ele me pediu. Não me neguei em pagar, ele que não fez questão de receber. Vai, vamos embora. Já estou bêbado, era este meu objetivo. Vamos!