Azulejo, corpo nu
Minha estante, tua cor
Um instante, teu calor
Manifesto de Thiago Almeida às 06:23 0 000 comentários
Ainda venho à sacada, todas as noites.
As lembranças e os cigarros nunca se apagam.
Dois anos ou mais.
Manifesto de Thiago Almeida às 23:19 9 000 comentários
Manifesto de Thiago Almeida às 10:50 6 000 comentários
Ela fala o que quer, insiste, você escuta.
Você diz o que pensa, desiste, pede desculpa.
Manifesto de Thiago Almeida às 16:40 3 000 comentários
Ana odiava ir à escola. Chorava dia e noite, trancada, lendo Cora. Sonhava com as risadas e piadinhas dos colegas de classe, sem classe. Ótima média em matemática e artes. Gostava de ler e jogar xadrez. Mas, tudo isso se desfez. Começou quando descobriram que seu nome lia-se de trás pra frente. Pobre Ana, na mão desses dementes. Mas, como mágica, isso se rompeu em um passe. Quando um tal de Natan entrou em sua classe.
Manifesto de Thiago Almeida às 20:30 16 000 comentários
Entrou numa loja de discos no centro da cidade, procurou nas prateleiras e nada. Então, perguntou à balconista: “Vocês têm o Blizzard of ozz do Ozzy e o Chega de Saudade do João Gilberto?”.
Com cara de dúvida, a moça procurou nos arquivos do computador, localizou a numeração de ambos, foi até as prateleiras onde poderia encontrá-los e apanhou os discos. Voltou com os vinis um pouco surrados pelo tempo, disse o valor, o rapaz chiou e pediu um desconto, ela concordou e colocou os vinis na sacola. Dinheiro pra cá, discos pra lá. “Obrigado”, disse ele. “Volte sempre”, respondeu a moça.
Ela achou interessante seu gosto musical e pensou: “Assim como eu, tão jovem e não procurou músicas para fins comerciais!? Isso é um bom sinal” . Ele achou interessante o jeito que ela se vestia. Porém, não falaram nada um para o outro. As boas impressões se limitaram aos pensamentos.
Passaram-se três dias. Ele pensando nela. Ela, nele. No dia da venda dos vinis, ela estava chateada, pois na mesma manhã, sua mãe havia sido hospitalizada. Devido à preocupação, acabou não sendo tão simpática com rapaz, como era de costume com os clientes da loja. “Como será seu nome? Porque não perguntei?", lamentou a garota.
O rapaz não tinha mais dinheiro pra voltar à loja. O montante da primeira compra, havia conseguido com a venda de sua guitarra. “Como a atendente se chama? Não tinha crachá e eu, tímido que só, não tive coragem em perguntar seu nome. Aliança não tem... Isso é um bom sinal!”, pensou o jovem.
Após um mês e alguns dias de economia, ele conseguiu juntar certa quantia para adquirir outro vinil e, é claro, com a mais obvia intenção de ver a balconista novamente. Tomou um banho demorado, cantando bem alto no chuveiro. Ele mesmo estranhou sua euforia, quando enxaguou os cabelos, retirando o condicionador que, nunca havia utilizado. Calçou seu all star preto e sua camisa do Creedence. Usou escondido o perfume de seu pai e partiu.
Seu coração batia forte. Sua respiração, cada vez mais ofegante. Ensaiou algumas frases para impressionar e elaborou algumas perguntar para fazer. Sem hesitar, pensou em um dia e lugar para convidá-la a sair.
A loja estava próxima, dois quarteirões ou menos. Ele desacelerou os passos, sentia suas mãos frias, sempre de cabeça baixa. O farol abriu para a passagem dos pedestres, ele se apressou. Seus pensamentos estavam tão fantasiosos que não percebeu que, uma moto cruzava o sinal vermelho. Ouviu buzinadas e alguns gritou na calçada. Com menos de três metros, mostrando habilidade e equilíbrio, o motoqueiro fez um ziguezague, desviando do rapaz. “Motoqueiro filho da puta! Não viu o sinal, não!?”, esbravejou.
Depois do susto, o jovem cruzou a rua da loja. Por alguns minutos, o susto veio a calhar, pois controlou sua ansiedade, substituindo paixão por medo. Mas, todo esse turbilhão de sentimentos voltou à tona quando avistou a loja.
Pronto! Chegou até a loja de discos. Forçou a maçaneta e observou que a porta estava fechada. “Hora do almoço!?”, pensou. Conferiu no relógio e advertiu-se, afinal faltava quinze. O vidro fume e empoeirado, impossibilitava a visão de fora para dentro. Ele se afastou. Olhou para cima, notou a ausência da fachada luminosa. No lugar, havia uma faixa de pano, com os dizeres: “Aluga-se para fins comerciais”.
Manifesto de Thiago Almeida às 13:48 11 000 comentários
Uso apenas dez por cento de minha capacidade animal. Acredito que devemos ingerir tudo que há de bom, sem desperdiçar o que há de mais escroto. Após a digestão feita, vomitarmos cultura uns nos outros. A propósito, tenho humor maligno no cérebro.
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