quarta-feira, 3 de junho de 2009

Depois do Fim - Segundo ato

Sinal da cruz

Uma casa pequena. Três ou quatro cômodos, se não me engano. Uma varanda espaçosa e um quintal nos fundos. Alguns quadros na parede. Fotos sobre a estante da sala. Na entrada, uma cortina estampada e uma música alta.

Gilberto diminui o volume do rádio e, sorrateiramente, vai à cozinha onde sua mulher está. Ela olha para trás, assim que ele cruza a porta, balançando a cortina com gomos de bambu e, com um forte abraço, ela o recebe. Um pouco apressado, Gilberto segura na mão de sua esposa, puxando-a para o quarto. Ele explica sobre a viagem repentina e pede ajuda para aprontar algumas trocas de roupas, escova de dente e toalhas limpas.

Ele vai à cozinha, toma um copo de café amargo com algumas bolachas de água e sal, corre para o banheiro para escovar os dentes e o cabelo e, ao olhar-se no espelho, chora. Fica ali por alguns minutos. Não se sabe o motivo. Nada passa por sua mente. Simplesmente, ele chora. Chora como nunca tivesse chorado. Aperta a descarga para sua esposa não ouvir seus prantos. Enxuga suas lagrimas, puxa o fôlego e sai.

Na sala, sua esposa lhe espera sentada no sofá, segurando um terço na mão direita com a bagagem entre as pernas. Gilberto senta ao lado dela e diz para não se preocupar, seria uma viagem rápida e uma ótima oportunidade para mostrar serviço aos seus superiores. Ela lhe dá o terço, faz o sinal da cruz em sua testa e lhe beija forte, sem falar nada. Gilberto sorri com o canto da boca e lhe mostra a língua. Os dois riem e ele cruza a saleta em direção a rua.

8 comentários:

Airton disse...

opa caraa
bom o texto....
seu blog ta bem manero

abraço

Jacques disse...

Texto bacana. Abcs

Sou blogueiro - INDICOESSE disse...

Estive sem internet por isso naão voltei aqui tão rápido. Espero que esteja tudo bem! O texto muito bacana!
Volto amanhã pra comentar mais!

betella's disse...

Muito bom!
expectativa para a continuação!

;)
Abraço Thiago!

Sou blogueiro - INDICOESSE disse...

Bem, agora ele precisará sair e deixar a esposa! Lamentável! Pq não levar a esposa, ela também trabalha? Muito bem escrito o texto!
Quero seguir essa história até o último ato!

:D

Martha M. disse...

Eles parecem se dar muito bem.

Hum...cafézinho puro, forte. Saudades de tomar um, andei meio dodói, até senti o gosto.

Só de ler um capítulo senti ser emocionante, é um livro? Você já publicou?

Parabéns!
Está ótimo.

Sou blogueiro - INDICOESSE disse...

Andei pensando e li o segundo ato novamente. Acho que ele é sentimental, claro. Ele estará deixando por um tempo a família, mas será um jeito de mostrar serviço para seus superiores como bem disse. Quantos brasileiros precisam as vezes largar família e não só vão trabalhar em outros lugares como também vão procurar emprego.

Regiane disse...

Parabéns, essa história prende bem nossa atenção, continue.

Bjos