domingo, 25 de dezembro de 2011

Persona non grata

Conselho sem cara, caráter, me quer bem? Mentiras vazias, azia e vãs. De Deus o ajustamento virá. Não há de virar a página, não há o que perdoar. O troco eu troco por justiça, por sua língua, inundada de ira e ínguas, terás minha cobiça. 

Como disse outrora, o pecado capital mora no interior. É sabido que o bem prevalece ao rancor e condena seu temor por falta de libido e postura boçal. Teu sopro não foi em palha ou vidro, fora em algo que me valha. O tijolo e o cimento tornaram seu ódio em algo fútil, prevalecendo o nosso sentimento e vida útil.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Sinopse.

Ao apreciar doses abundantes de uísque barato, dentro de um bar sujo, extremamente fedido, mal frequentado e repleto de consternações, um homem faz eclodir múltiplos deslumbramentos de sua natureza humana.
 
Boa parte dos diálogos são inteligentes, repleto de sarcasmos e pressupostos. Personagens enigmáticos compõem a trama, incitando este homem em inúmeras situações. Porém, nosso personagem, em algumas ocasiões, insiste em responder aos desconhecidos: “O mundo já estava assim quando cheguei, porra”!
 
A maioria das cenas é narrada por uma câmera em primeira pessoa, com enquadramento de destaque em sua percepção dos fatos. Momentos acelerados para registrar outra dimensão do local, atirando a vida deste homem sobre os olhos dos expectadores. Outrora, minutos desacelerados para mostrar o caos dentro de sua mente. Fotografia intimista, música eletrônica, rock oitentista e múltiplos cortes secos. Contém diversas cenas de violência, drogas e sexo.
 
Em cartaz, nos cinemas não muito distantes de você.
Afinal, a vida é um filme... Corta!

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

No interior.

Um amigo meu atravessou o estado para passar ao lado de sua mãe os últimos dias de vida dela. Dias tristes e chuvosos que se arrastaram naquela semana. Ela, ali deitada, só falava com os olhos. Ele previa o fim, mas guardou seu sentimento na garganta.

Quando ela partiu, o coração dele bateu mais forte. Mas, no fundo ficou aliviado, pois o sofrimento, enfim, havia acabado. O céu se abriu meio ao tempo cinza. Um forte sol, inexplicavelmente, surgiu de forma alegórica.
 

Ouvi este relato da boca dele, quando regressou. Arrepiei-me e emocionado o abracei. Um abraço diferente, de olhar e com a forma de minha expressão. Era o sétimo dia do ocorrido. Não rolou nenhuma rocha, ela não ressuscitou.
 

Porém, essa história tirou a pedra que travava meu caminho. Entendi a metáfora de Deus e ele sabe do que estou falando, pois entendeu a minha também, trazendo esta historia até a mim.

domingo, 23 de outubro de 2011

Vendendo para mulheres

Ofereça desconto!
Use a frase: Está na moda.
Palavras como: Tendência,
Off, promoção, ousada... Enfim, podem ajudar.
Mas, se nada der certo, simples:
- Sua amiga já tem.

sábado, 15 de outubro de 2011

Em pulso (o futuro não espelha essa grandeza)

A roda gira, gira mundo. É o mundo imundo que gira a roda. A ferrugem, fuligem e a solda, calejam seus braços fortes. Braços que não sabem o sentir de um abraço. Seu presente, mais valia, sem laço. Não há embrulho ou comemoração, só cansaço. Lemos no cartão os dizeres garrafais: Demissão. Assim gira a roda, sem aplausos, condição ou direção.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Beira-mar

Na peleja, céu azul
Azulejo, corpo nu


Minha estante, tua cor

Um instante, teu calor

sábado, 9 de julho de 2011

Tanto faz

Ainda venho à sacada, todas as noites.
As lembranças e os cigarros nunca se apagam.
Dois anos ou mais.

sábado, 11 de junho de 2011

Disparo.

Depois de cruzar a última esquina, segurando uma garrafa quase vazia de vodca na mão - pra ser exato - com um pouco menos da metade e fumando seu último cigarro, ele chegou a porta da festa. Um pub sujo, mal localizado, frequentado por gente que se conhece pelos sobrenomes, pelas universidades que frequentam, pelos países que viajaram ou pelos empregos dos pais. Não se consideram burgueses, pois, ouvem músicas engajadas, falam em gírias descoladas e, suas roupas de grife, são rasgadas e customizadas pelas empregadas da família.

Ao chegar, o segurança do local que, por um instante pensou em não deixá-lo entrar, afinal, já era tarde e o rapaz estava extremamente pirado, acabou liberando sua entrada, após pedir que dispensasse a garrafa na calçada. Ele virou em um só gole, bebendo e babando toda a vodca, arremessou a garrafa em uma parede do outro lado da rua, espalhando os estilhaços de sua fúria.

O local estava cheio, bastante movimentado, muita gente alucinada. Copos, garrafas e casais se beijando por todos os cantos. As luzes e o som alto o deixaram acelerado. Todos estavam dançando e curtindo cada instante. Ao encarar as pessoas, observava que todos riam, se abraçavam, gesticulavam, falavam aos berros e bebiam muito, algo muito parecido com felicidade.

Foi ao bar e pediu uma dose do uísque mais barato. Virou em frações de segundo! Pediu a saideira ao barman, perguntando onde era o banheiro.

Se direcionando até lá, esbarrava em todos que estavam em sua direção. Parecia não ver ninguém. Entre os esbarrões, chutes e empurrões, chegou ao banheiro, aparentemente, vazio. Caminhou até a última porta. Encostada, forçou para abri-la, mas ouviu alguém reclamando. Continuou forçando até abrir e se deparar com dois caras que estavam se drogando. Eles reclamaram com o rapaz que, os afrontou e empurrou-lhes contra a parede. Falou que iria ser breve ao usar o banheiro: “Só quero dar um tiro, porra!”. Os dois sujeitos então relaxaram a tensão do momento e caíram na gargalhada, indagando o rapaz: “Uma cafungada!? Poderia ter falado antes”.

Afastaram-se, abrindo caminho para ele que, entrou rapidamente e trancou a porta. Os dois saíram rindo alto e gritando: “Aproveite a festa, amigo! Divirta-se e... Boa viagem”. Porém, antes que cruzassem a porta, ouviram um tiro seco, seguido de um barulho de queda e uma poça de sangue que atravessava a fresta.

domingo, 5 de junho de 2011

Briga de casal

Ela fala o que quer, insiste, você escuta.
Você diz o que pensa, desiste, pede desculpa.

sábado, 29 de janeiro de 2011

Rir. O breve verbo, rir.

Ana odiava ir à escola. Chorava dia e noite, trancada, lendo Cora. Sonhava com as risadas e piadinhas dos colegas de classe, sem classe. Ótima média em matemática e artes. Gostava de ler e jogar xadrez. Mas, tudo isso se desfez. Começou quando descobriram que seu nome lia-se de trás pra frente. Pobre Ana, na mão desses dementes. Mas, como mágica, isso se rompeu em um passe. Quando um tal de Natan entrou em sua classe.