segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Lamúrias de burguesa – Parte III

Prosa bucólica.

Hoje acordei muito bem disposta. Estou - ou pelo menos pareço estar - inteiramente restituída. Os bons ventos do interior servirão de tônico e, produziram em mim, resultados milagrosos.

- Hora de acordar, Mariana. Já são duas da tarde. Gritou minha avó. Ela é uma pessoa muito doce. Me trata bem e sempre me dá carinho e dinheiro. Depois da morte de meu avô, ela nunca mais foi à mesma. Minha avó era falante. Vivia sorrindo e não parava um só minuto. Hoje, vejo minha avó passando o dia todo em frente à TV ou lamentando a perca de meu avô. Não têm um só dia do qual ela não pede para morrer.

Pela fresta da porta, vi que a mesa estava repleta de coisas gostosas. Tinha pão quente, café moído na hora, leite, flores por toda a parte, biscoitos, suco de laranja, frutas, geléia, manteiga, queijos... Nossa! Odeio patê de presunto, mas ele também estava lá. Meus primos no trabalho, minhas tias fofocando na varanda. Esta é a semana na casa da minha avó.

Costumo pegar a bicicleta velha que era do meu avô e desaparecer por aí. Fone nos ouvidos. Óculos de sol. Cabelos presos com uma fita vermelha. Vou sem destino. Só paro pra colocar a corrente, novamente, na catraca ou para tomar um sorvete na praça.

Agora vou tomar banho, pois vou a uma tia que mora na cidade vizinha, por volta de uns cinco quilômetros daqui. O ônibus demora, tanto para passar quanto para chegar lá. Tenho uns primos lindos, porém são bobos e não me dão à mínima, eu acho. Minha avó me repreende toda hora, sabe que eu fico tentando aflorar os sentidos dos garotos. Pena que desta vez a Juliana não veio comigo, a gente sempre apronta alguma coisa.

Certa vez, a Juliana conheceu um rapaz que morava em uma república. Nós fomos até lá. Nesta noite, estava rolando uma festa para comemorar mais um final de semestre. Drogas e bebidas por toda parte. Fiquei com um carinha que não lembro o nome. O mais engraçado é que ele deve achar até hoje que me chamo Carol. Voltamos para a casa da minha avó, depois de dois dias. Os pais da Ju estavam lá e os meus também. Acho que foi a segunda vez que meu pai me bateu. Ah! Foi à terceira, a segunda vez foi quando eu cuspi na cara dele, depois de ter chegado bêbada em casa e a primeira... Hum! Não lembro. Falando em não lembrar, minha memória está cada vez mais defasada, estou esquecendo tudo. O ruim é que eu não me esqueço das coisas e das pessoas que queria tanto esquecer.

Quer saber, voltarei pra cama. Vou tentar durmir mais uns dez minutinhos, ou até, quando minha avó vir aqui puxar o lençol e brigar comigo por estar dormindo nua.

2 comentários:

Flantuares disse...

Cara, não pare! Está muito bom!
Só tem uma coisa que queria saber.
Qual a idade dessa personagem?
Fiquei curioso a respeito.

vicente cortello disse...

eu quero uma mariana pra mim.
e eu vou te fazer uma promessa agora:
se tudo na minha vida acontecer como eu ando imaginando, eu vou te dar o maior presente da sua vida, de amigo para amigo (porque você ainda vai casar, ter filhos e netos, e nisso, eu não posso ajudar).